Pesquisa: Maioria dos trabalhadores da saúde não teve capacitação sobre coronavírus

Informações coletadas pela ISP e filiadas mostram falta de EPI's e capacitação, assim como risco de contaminação da população em geral
Trabalhadora da área da saúde

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De acordo com resultado parcial de questionário online aplicado pela Internacional de Serviços Públicos (ISP) – aplicado junto a trabalhadores que atuam na saúde e em serviços essenciais de enfrentamento da pandemia de Covid-19 – 77% dos que responderam ao instrumento alegam não ter passado por capacitação adequada para o trabalho junto à população e 67% denunciaram insuficiência de Equipamento de Proteção Individual (EPIs) nos locais de trabalho, sendo que 11% disse não ter nenhum EPI.

A pesquisa, iniciada em 31 de março, integra a campanha “Trabalhadoras e Trabalhadores Protegidos Salvam Vidas”, realizada mundialmente pela ISP e filiadas. No Brasil, a iniciativa conta com o apoio das organizações parceiras, como a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal (Confetam). Foram 1.025 questionários respondidos de forma voluntária, abarcando diversos estados brasileiros. São Paulo foi a unidade federativa de maior participação até o momento, seguido do estado do Ceará e do Rio de Janeiro.

Dos profissionais que prestaram informações sobre suas condições de trabalho, 58% são servidores públicos, 84% são trabalhadores da saúde, sendo 34% de enfermeiros e 12% de técnicos de enfermagem, grupos de maior participação na iniciativa até o momento. 55% dos participantes afirmam passar por sofrimento psicológico neste momento, inclusive 10% têm tido mais de 12 horas diárias de jornada de trabalho.

Trabalhadores em risco

Para Vilani Oliveira, presidente da Confetam, as informações preliminares, evidenciam que essas situações, somadas às dificuldades de acesso aos testes de cononavírus, colocam em risco não só trabalhadores, como a população, que pode ser contaminada de forma desenfreada pela Covid-19. “Só em São Paulo temos quase 20 mortes de trabalhadores da saúde e em todos os estados recebemos denúncias de falta de equipamentos de proteção. Estamos literalmente nos matando pela ineficiência dos governos de oferecerem as condições adequadas de segurança e saúde, por isso essa pesquisa é tão importante. Ela nos dá os dados necessários para enfrentamos e cobrarmos as autoridades”, destaca a dirigente.

A Secretária Subregional para Brasil da ISP, Denise Motta Dau, reforça que a aplicação da enquete deva ser ampliada, mas considera que os resultados obtidos até aqui já são indicadores importantes e preocupantes e mostram que profissionais, que estão diariamente no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, correm severos riscos de saúde.

O formulário da enquete seguirá aberto para participação dos trabalhadores, para atualização semanal, e os dirigentes reforçam a necessidade de registro das condições diárias de segurança e saúde, para que as ações sindicais possam ser mais precisas. Acesse a pesquisa aqui.

A ISP destaca ainda que as mobilizações devem ser ampliadas no 28 de abril, Dia Mundial da Segurança e da Saúde no Trabalho, que deve ser destacado nas redes sociais.

Acesse aqui a íntegra do relatório parcial do questionário.

Fonte: Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal (CONFETAM)